A poesia dos poetas populares Hermes Vieira, Piauí, Patativa do Assaré, Ceará, e Luiz Gonzaga, Pernambuco, é estuda na Universidade Federal de Goiás-IASA/UFG, por alunos do Curso de Doutorado. Acompanhe parte da dissertação:
MÚSICA E POESIA REGIONAL:
O NORDESTE NA RELAÇÃO ENTRE GEOGRAFIA E ARTE
Introdução
Os estudos geográficos vêm incorporando o estudo das manifestações artísticas, especialmente as literárias e musicais (MONTEIRO, 2002; HASEBAERT, 2002; FERNANDES, 1992)[2] e, por conseguinte abrem perspectivas para a abordagem denominada de Geografia Cultural (ou Humanista). O presente trabalho pretende mostrar uma analise de músicas e poesias consideradas regionais – pelo tema, pela procedência dos compositores e pela recepção que delas faz o mercado e o público em geral.As regiões brasileiras, como objeto de análise geográfica e como entidades político-administrativas apresentam, na maioria das vezes, grandes desigualdades, focalizadas por critérios predominantemente geoeconômicos (CORRÊA, 1997).
É necessário dizer que isto já acontecera no âmbito dessa mesma “música caipira”: intérpretes individuais, duplas e grupos inteiros apareciam vestidos de “pessoas do campo”, portando insígnias de um mundo rural que havia se transformado (MARTINS, 1975; NEPOMUCENO, 1999), caso explícito da idéia de que passamos a evidenciar a tradição quando estamos na iminência de perdê-la.Por outras vias ainda em tempos de discos de vinil e de constituição do rádio como meio de grande audiência, delineou-se no arco da Música Popular Brasileira a denominação de “música regional”: compositores e compositoras, cantores e cantoras, oriundos das classes populares e médias revisitam o mundo rural, o interior do país – o inner country da língua inglesa e certamente o pays da língua francesa – e constroem suas próprias interpretações da cultura que, por sua vez, contribuem para o amálgama das identidades territoriais (HAESBAERT, 1999).As décadas de 40 e 50 do século XX foram marcadas pela emergência da “música nordestina”, de ritmos como baião, xote, xaxado e forró[4]. Nomes como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, ganham visibilidade no mercado fonográfico e no rádio[5].A literatura dita “regional” é menos marcada pela intervenção do mercado, mas sua rotulação e seu conteúdo, seguem os passos do que afirmamos para o campo da música.
Passamos agora, como resultado preliminar, para a análise das canções e dos poemas.Música, poesia e a relação subjetiva com a regiãoA região Nordeste é a região do Brasil que mais se discute em termos de música e literatura regionais, diversos discursos já foram feitos em relação às desigualdades, esses muitas vezes são manifestações que visam interesses próprios, em geral das elites (CASTRO, 1992). O fato de que o Nordeste precisa ser mais bem atendido comparece nas canções analisadas.“Precisamos restaurar a interpretação poética na Geografia”, nos alerta Haesbaert (p.157) e para complementá-lo é importante salientar que para um conhecimento completo, do objeto de estudo, é necessário o estudo de todas as fontes de informação sobre o mesmo. As manifestações culturais podem muito bem trazer informações relevantes refletindo a identidade de determinada região.
Dentre tantas manifestações culturais, começaremos pelas músicas, que serão a seguir analisadas objetivando nas letras a identificação de elementos naturais, econômicos, culturais, sociais que podem ser considerados atributos da região.Na toada Vozes da Seca, gravada inicialmente em 1953, Luiz Gonzaga e Zé Dantas mostram que o Nordeste não é apenas uma parte do país que se destina a receber ajudas (esmolas). Ao contrário, os compositores têm o objetivo de mostrar que existe um grande potencial de produção, o único empecilho para desenvolve-lo é a falta de água e de vontade política: Seu doto os nordestino / Tem muita gratidão / Auxilio dos sulistas / Nessa seca do sertão / Mas doto uma esmola / A um homi qui é são / O lhi mata de vergonha / Ô vicia o cidadãoÉ por isso pidimos / Proteção a vosmicê / Para as rédeas do poder / Pois o doto dos vinte estados / Temos oito sem chover / Veja bem, quase a metade / Do Brasil ta sem comerDê serviço a nosso povo / Encha os rios de barrage / Dê comida a preço bom / Não se equeça a açudage / Livre assim nóis da esmola / Que no fim dessa estiage / Li pagamo até o juro / Sem gastar nossa coragem/Se o doto fizé assim / Salva o povo do sertão / Se um dia a chuva vimQue riqueza pra nação / Nunca mais nois pensa em seca / Vai dar tudo nesse chão / Cumo vê, nosso destino / Messe tem vossa mão /Outra canção que nos mostra uma grande afeição às “coisas do lugar” é Estrada de Canindé, composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, em 1950, onde apresentam detalhes da paisagem do sertão que somente podem ser observados no ritmo lento do caminhar a pé, sem a preocupação materialista que move a sociedade moderna: Automóvel lá nem se sabe / Se é homem ou se é muié / Quem é rico anda em burrico / Quem é pobre anda a péMas o pobre vê nas estradas / O orvaio beijando a frô / Vê de perto o galo campina / Que quando canta muda de cor/Vai moiando os pés nos riacho / que água fresca, Nosso Senhor!Vai oiando coisa a grané / Coisa que pra mode ver / O cristão tem de andar a péAi, ai, que bom / Que bom, que bom que é / Uma estrada e uma cabocla / Com a gente andando a pé Ai, ai, que bom / Que bom, que bom que é / Uma estrada e a lua branca/No sertão de Canindé/.
A valorização de mínimos detalhes faz a felicidade do morador, onde parece ser diferente o tempo (cronológico), pois a vida sem tanta correria, sem o chamado “stress”, que atormenta tanto a vida de todos hoje em dia.
Sentir falta do passado todos sentem, expressar esse tipo de sentimento é o mais difícil, pois notamos que um simples hábito alimentar pode causar sentimentos de insatisfação e gerar, às vezes, até uma aversão ao local onde se está vivendo, tudo por causa da saudade.Como dito anteriormente, as relações que o avanço do capitalismo trouxe, pode causar uma espécie de “saída forçada”, não só as relações capitalistas, como também alguns fatores da natureza, como a seca, a enchente e outros fatores que influenciam a vida.
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Quando os autores se referem à saída do sertanejo para a cidade, no primeiro paragráfo de “Vaca Estrela e Boi Fubá” e no último de “Último pau-de-arara”, observa-se o elemento histórico que grande parte da população nordestina vivenciou: a migração rural. Outro ponto evidenciado nas músicas é a afetividade com o lugar e a região, o orgulho com sua terra, mesmo sabendo que essa não o pode sustentar. E ainda o carinho pelos animais, apego ao seu “patrimônio”, mas que é visto também quase que personificado.
Nessas canções, ainda pode-se observar a estiagem como um elemento climático característico do Nordeste que nos remete à chamada “indústria da seca” que na música referida não é tratada diretamente, mas mostra as suas conseqüências aparentes: a vida sofrida dos sertanejos por descaso da elite e usurpação política.Dentro dos atributos culturais encontram-se o Pau-de-arara e os termos seguintes: esturricou – secou; aboiar – chamar a boiada; medonha – grande; e tangeu – tocou para a frente (a exemplo do que se faz com o gado). Algumas dessas palavras e expressões são encontradas em outras regiões, mas constituem uma característica forte do sertão nordestino.
Nos atributos naturais destacamos o Sertão e o Cariri – área caracterizadas pelos domínios morfoclimáticas e vegetacionais, mas âmbito da ação humana. Ainda se pode encontrar atributos econômicos na composição que se explicitam pela posse da vaca Estrela e do boi Fubá. Identificamos igualmente os atributos sociais expressos na dificuldade de adaptação do retirante em outro lugar e/ou no sofrimento de estar ali longe de seu lugarzinho (torrão natal/região querida). Outros pontos relevantes dessa canção, a exemplo o Nordeste agrário e o vaqueiro como personagem principal, também caracterizam um modo de vida que é recorrente na música “nordestina”. Para mostrar um pouco da afetividade do ser humano com o espaço regional podemos observar a canção composta por Jorge do Altinho, gravada em 1984, denominada Petrolina - Juazeiro. Nas margens do São Francisco/ nasceu a beleza / e a natureza ela conservou / Jesus abençoou com sua mão Divina / pra não morrer de saudade vou voltar pra Petrolina/Do outro lado do rio tem uma cidade / que na minha mocidade/ eu visitava todo dia / atravessava a ponte,/ mas que alegria / chegava em Juazeiro, Juazeiro da Bahia/Ainda me lembro que no tempo de criança / esquisito era a carranca e o apito do trem, / mas achava lindo quando a ponte levantava / e o vapor passava no gostoso vai e vem./ Petrolina, Juazeiro / Juazeiro, Petrolina / todas as duas eu acho uma coisa linda / eu gosto de Juazeiro / e adoro Petrolina. Jorge de Altinho nos dá um exemplo de topofilia (Bachelard apud Castro, 1992), de afeição e identificação com duas cidades que podem ser representativas de todo o Nordeste.
O compositor/intérprete menciona o rio São Francisco, um importante fator para a vida local e regional, se identifica como baiano – pernambucano ou vice-versa, pois as cidades a que ele se refere - Juazeiro (Bahia) e Petrolina (Pernambuco) – são dividas apenas pelo rio mencionado. Muitos aspectos do espaço vivido nas duas cidades, ou seja nos dois estados, permitem essa identificação local/regional[1].Os cantores e compositores Gilberto Gil e Dominguinhos, em Lamento Sertanejo, apresentam uma identidade semelhante ao autor de Saudade Brejeira: Por ser de lá do sertão / Lá do serrado / Lá do interior, do mato / Da catinga, do roçado / Eu quase não saio / Eu quase não tenho amigo / Eu quase que não consigo / Ficar na cidade sem viver contrariadoPor ser de lá / Na certa, por isso mesmo / Não gosto de cama mole / Não sei comer sem torresmo / Eu quase não falo / Eu quase não sei de nada / Sou como rês desgarrada / Nessa multidão boiada / Caminhando a esmo. Os autores abordam a difícil relação de uma pessoa que se acostumou a viver na simplicidade de um pequeno lugar, e que para a “cidade grande”, onde se presume que as pessoas não se olham nem quando se esbarram, onde a individualidade está supostamente presente em todos.
O migrante torna-se individualista a partir desse tipo de tratamento que recebe, chegando a se considerar uma rês (uma novilha) que se separou do grupo maior. Observa-se um certo determinismo ambiental quando os hábitos humanos são considerados como oriundos do mato, do sertão.Um processo semelhante de representação da região ocorre na poesia, entre a naturalização e a recriação cultural.
O poeta piauiense Hermes Vieira percorre os mesmos caminhos dos compositores acima citados. Vejamos Lamento de um retirante órfão:Seu doutô, vosmincê tá bisservando/Bem prali, mais pra lá desses lagero,/Uma cova e uma crúiz já disbotando/Bem pertim desses pé de mamelêro ?/Apois é nessa cova, meu patrão,/S'apagando e cuberta de capim,/Quase nu, sem mortáia e sem caxão,/Onde tá sipurtado meu paizim./Vê tombém essas outas piquinina/Onde o só tá bejando cum seus rai ?/São dos meus rimãozim,-Bento e Cristina,/Qui morrero do jeito de papai./Foi a seca, esse monstro do Nordeste,/Qu' iscanchada num só devoradô,/Cunduzindo um surrão de fome e peste,/Meus trêis entes quirido aqui matou./Vivo só cum mamãi, pobe e duente,/Supricando do povo a cumpaxão;/Mais porém, muntos somba e ri da gente/E nos dão disigano im vêiz de pão./E o pió disso tudo, cá pra mim,/É si vê passá era e chegá era/Intregando pra muntos leite e vim,/E pra nóis sofredô, fome e miséra!/Muntos diz qui o Guverno sempre dá/Uma ajuda pr'aqueles qui têm fome/Mais porém, quando a ajuda sai de lá,/Outa Seca pió lhi agarra e come!/Quando chega os momento d'inleição,/As premessa têm chêro de alimento;/Mais,dispois, junto o vento elas si vão,/E nóis fica no mêrmo sufrimento!./
O poema expressa uma linguagem típica - “Seu doutô” e “vosmincê”- além de vários elementos significativos do sertão nordestino como, na 1° estrofe, “Mamelêro” e “lagero”, retratando a desilusão de um sertanejo que sofre a seca e suas conseqüências o que também implica numa crítica social as desigualdades que geram a miséria, a fome e a morte. Na 6ª estrofe quando aparecem as expressões “Intregando pra muntos leite e vim, E pra nóis sofredô, fome e miséra” o autor argumenta sobre o círculo vicioso da corrupção política e oportunista, que geralmente se beneficia da ocasião para tirar proveito da situação, prevalece inescrupulosamente sem qualquer pudor na região nordeste. (como em todo território nacional).
Na 7ª estrofe, a linguagem do texto, deixa claro a pouca escolaridade do narrador que explana a situação de miséria em que vivem ele e sua mãe, a falta de assistência do governo - “Muntos diz qui o Guverno sempre dá” - e a desilusão de uma realidade melhor, típico de um retirante nordestino. No poema Nordeste, Vieira conjuga o máximo de elementos culturais para forjar uma identidade nordestina: Meu Nordeste feiticeiro, / Morenão de bronze o peito, / Genuíno brasileiro, / Eu me sinto satisfeito / Em ser filho de um teu filho / E no chão por onde trilho, / Que venero com respeito. Meu Nordeste das moagens / Nos engenhos de madeira, / Dos açudes, das barragens, / Da lavoura rotineira, / das desmanchas de mandioca, / Do foguete-de-taboca / Irmão gêmeo da ronqueira.Meu Nordeste onde os velórios / São rezados no sertão, / E improvisam-se os casórios(Sem juiz, sem capelão), / Os padrinhos e os compadres, / As madrinhas e as comadres, / Na fogueira de São João.Meu Nordeste do bornal, / Rifle, bala e cartucheira, / Da "lombada" e do punhal, / da "garruncha" e da peixeira, / Do cacete e do facão, / Com que um cabra valentão / Desmantela festa e feira.Meu Nordeste em rede armada / (De algodão ou de tucum), / Aguardando a maxixada / Com quiabo e jerimum, / Mel, canjica e milho assado, / Feijão verde e arroz torrado, / Na semana de jejum.Meu Nordeste a boi de carro... / Carro-de-boi do Nordeste, / Tosco, humilde, simples charro, / Submisso e a nada investe, / Que, arrastando estrada afora, / Range, grita, canta e chora / Ajaujado à canga agreste. (....)Tendo em vista a recorrência da representação de uma imagem territorial que caracteriza uma identidade regional ao longo de quase meio século, tomamos com cuidado a observação de o processo de globalização em curso, possibilita a emergência de regionalismos e outras referências diferenciais (étnicas, locais, etc.), a exemplo do que nos propõe Haesbaert (1999b). O mercado fonográfico, o surgimento e ampliação das redes de televisão não substituíram por completo o rádio. Modos de vida se transformaram, todo uma ordenamento sócio-espacial se refez. No entanto, seguindo os passos de Frémont com sua região – espaço vivido ou região identidade e da topofilia de Bachelard retomada por Iná Elias de Castro, é possível seguir justapondo os elementos culturais com outros atributos que o “regional” ganha ou assume na música e literatura, adjetivando-as. A mesma autora nos permite tratar do regional como uma escala interposta entre o local e o nacional, não necessariamente geométrica, cartesiana (CASTRO, 1995), mas, neste, caso, subjetiva, afetiva, crítica ou naturalizadora, mas indicadora das relações dos seres humanos com o espaço.
Os compositores às vezes tratam do espaço próximo do local como metáfora do regional. E esse regional, por sua vez, não necessariamente coincide com os limites geo-econômicos ou político-administrativos. Bibliografia ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino. Petrópolis: Vozes, 1978. CASTRO, Iná Elias de. Imaginário político e território: natureza, regionalismo e representação. In: CASTRO, Iná Elias de et all (Orgs.) Explorações geográficas: percursos no fim de século. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1997, pp. 155-196._____________. O problema da escala. In: CASTRO, Iná Elias de et alli (Orgs.) Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, pp. 117-140._____________. O Mito da Necessidade: discurso e prática do regionalismo nordestino. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1992. CORRÊA, Roberto Lobato. Região: a tradição geográfica. In: CORRÊA, Roberto Lobato. Trajetórias geográficas. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1997, pp. 183-196.DIAS, Liz Cristiane; SOBARZO, Oscar. A leitura do rural nas músicas caipiras. Revista Formação, Presidente Prudente, v. 9, n. 2, p. 39-54, 2002. FERNADES, Bernardo Mançano. Geografia em Canção. Orientação, No. 9, 1992, p. 23-25. FRÉMONT, Armand. Introdução: redescobrir a região. In: FRÉMONT, Armand. Região, espaço vivido. Coimbra, Livraria Almedina, 1974, pp. 11-18.GOMES, Paulo César da Costa. O conceito de região e sua discussão. In: CASTRO, Iná Elias de et alli (Orgs.) Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, pp. 49-76.HAESBAERT, Rogério. Identidades territoriais. In: ROSENDAHL, Zeny e CORRÊA, Roberto Lobato (Orgs.) Manifestações da Cultura no Espaço. Rio de Janeiro, ed. UERJ, 1999a, pp. 169-190._____________. Região, Diversidade Territorial e Globalização. Geographia, rio de Janeiro. Ano 1. Nº 1. Junho/1999b, pp. 15-39._____________. Território, poesia e identidade. In: HAESBAERT, Rogério. Territórios Alternativos. São Paulo, Contexto, 2002, p. 143-158.MARTINS, José de Souza. Música sertaneja: a dissimulação da linguagem dos humilhados. In: MARTINS, José de Souza. Capitalismo e Tradicionalismo: Estudo sobre as contradições da sociedade agrária no Brasil. São Paulo. Pioneira, 1975, pp. 103-161.MOURA, Fernando & VICENTE, Antônio. Jackson do Pandeiro: o rei do ritmo. São Paulo, Ed. 34, 2001.RAMALHO, Elba Braga. Asa branca – Um estudo poético-musical. Humanidades – Revista de Humanidades e Ciências sociais. Ano 1. No. 1. 1999, pp. 17-24.RATTS, Alecsandro JP. Imagens da seca na MPB. Boletim Raízes N1o. 24, Fortaleza, IMOPEC – Instituto da Memória do Povo Cearense, p. 8. VIEIRA, Hermes. Poemas do Nordeste. Teresina, S/Ed, 198?. Discografia ALTINHO, Jorge. 1984. Vida Viola. RCA Camden.GIL, Gilberto. 1975. Refazenda. Philips. GONZAGA, Luiz e FAGNER, Raimundo. ABC do Sertão- Gonzagão e Fagner 2. 1988. BMG Ariola. GONZAGA, Luiz. 2001. Luiz Gonzaga ao vivo – volta pra curtir (Gravações de 1972). BMG/RCA.SECA, Volta.2000 Cantigas de Lampeão. INTERCD Gravações e Edições Musicais Limitadas, 2000. Gravado originalmente em 1957.[1] Outra forma de expressa musical que tem sido tratada como regional são as chamados worksongs, canções de trabalho, que, no Brasil, são encontradas em diversas ”regiões”. Em Goiás temos o exemplo das fiandeiras. A conhecida Asa Branca era uma canção de trabalho que se cantava nas colheitas de algodão (RAMALHO, 1999). Essa canção após modificações de algumas estrofes, transformou-se numa canção símbolo do Nordeste.
Além do refrão de Mulher Rendeira (que consta como autoria do cangaceiro/músico Volta Seca), um outro exemplo clássico do Nordeste de worksong é a música o Vendedor de Caranguejo: Caranguejo Sá / Caranguejo Sá / Apanho ele na lama / E trago no meu caçuá / Eu perdi a mocidade / Com os pés sujo de lama / Eu fiquei analfabeto / Mas meus filhos criou fama / Pelo gosto dos meninos / Pelo gosto da muié / Eu já ia descansar / Não sujava mais os pés / Os bichinhos estão criados / Satisfiz o meu desejo / Eu podia descansar / Mas continuo vendendo caranguejo.[1] Resultados preliminares de pesquisa em andamento originada na disciplina Teoria da Região e Regionalização, ministrada pelo prof. Dr. Alecsandro JP Ratts no Instituto de Estudos Sócio-ambientais da Universidade Federal de Goiás.[2] Carlos Augusto F. Monteiro, em O mapa e a trama, colige ensaios geográficos que têm a literatura por foco, escritos entre 1987 e 1998. Rogério Haesbaert analise a identidade regional de gaúchos e nordestinos, através da poesia, passando ligeiramente pela música. Bernardo M. Fernandes propõe uma metodologia para a utilização da música no ensino de Geografia. Dias e Oscar Sobarzo (2002) abordam as músicas caipiras.[3] Como procedimento metodológico partimos de um esquema em que distinguimos: canção, compositor(es)(as), intérprete(s), contexto (de surgimento da canção, destacando a primeira gravação), e aspectos da região que são abordados na canção (naturais, econômicos, políticos, históricos e/ou culturais).[4] Observamos que não existe propriamente um ritmo denominado forró, palavra de origem controversa, e sim um evento. No Nordeste se fala em “ir ao forró” ou “dançar forro”.[5] Sobre Luiz Gonzaga ver: DREYFUS, 1997. A respeito de Jackson do Pandeiro, consultar: MOURA & VICENTE, 2001. posted by Radio Poran at 06:22 0 comentarios Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Creditos/Xilos: Vieira,Guaipuan. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel -ABLC -Cadeira nº19, Patrono: Leonardo Mota.