Capa do romance publicado pela Luzeiro com ilustrações
em estilo clássico de Mestre Severino Ramos
Os três fios de cabelo de ouro do Diabo, história atemporal que figura nos Marchen dos Irmãos Grimm, mereceu do poeta Josué Gonçalves de Araújo uma vigorosa versão em cordel. É, seguramente, a obra-mestra de Josué, autor nascido em Marabá Paulista, interior de São Paulo, mas com raízes culturais nordestinas, pois é filho de baianos. Com este trabalho ele atinge a maturidade criativa, já demonstrada em O coronel avarento, um começo promissor mas ainda reclamando ajustes, e O mistério da pele da novilha, que dá novo tratamento à figura do viajor sacrílego, o Judeu Errante, que saltou do folclore para a literatura.
Em Os três fios de cabelo de ouro do Diabo, romance que conheci em pré-produção, a narrativa original ganha um sabor bem brasileiro graças aos muitos apelativos com que o autor retrata o “príncipe das trevas”. O conto, apesar de figurar na famosa coletânea dos Grimm, não é, em sua origem, alemão. Há registros em outras partes do mundo. No livro Contos populares da Espanha, que, por estas bandas, foi publicado pela Landy Editora, há uma versão interessantíssima. No interior da Bahia, anotei uma versão, inédita, em que o rei vilão desaparece, cedendo lugar ao fazendeiro, que obriga sua comadre pobre a empreender a façanha considerada impossível.